XXXIII – A LABIRINTITE TEM CURA

Dr. Cesar Augusto Seronni e Fga. Isadora Christina Seronni Fayad

O LABIRINTO é o órgão de orientação e de equilíbrio. É a base da percepção e idéia de posição no espaço e também, sede dos reflexos posturais originados nos núcleos vestibulares e cerebelares que desencadeiam os movimentos de posição do corpo.
O labirinto faz parte do ouvido. O sistema auditivo é representado pelo LABIRINTO ACÚSTICO ou anterior que por sua vez é constituído pela Cóclea. O do equilíbrio, pelo LABIRINTO VESTIBULAR, ou posterior, formado pelo Vestíbulo e os Canais Semi Circulares. Eles estão situados numa pequena cavidade do osso temporal, no ouvido interno (fig. 01).
O desequilíbrio físico é uma manifestação subjetiva através de diversas sensações de tonturas e vertigens. Podem vir acompanhadas de fenômenos vagais, auditivos e oculares, como náuseas, vômitos, zumbidos, surdez, diplopia e nistágmos.
Por serem órgãos bastante sensíveis (labirinto acústico e vestibular), freqüentemente se tornam verdadeiros termômetros do organismo, dando precocemente o alarme das mais variadas doenças, tanto endo, como exo labirínticas. As mais significantes são as deficiências de oxigenação e distúrbios do sono (obstrução nasal, rinites, ronco e apnéia do sono), doenças inflamatórias e reumáticas (sinusite, artrose cervical, etc.), doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, trombose da carótida, espasmos, aneurisma, isquemia, disritmias, etc.), alterações metabólicas e endócrinas (diabetes, dislipidemias, hiper ou hipotireoidismo, distúrbios ovarianos, etc.), hipertensão endolinfática (síndrome de Meniére), disfunção otolítica, doenças neurológicas (degeneração espinocerebelar, siringobulbia, esclerose múltipla, tumores, etc.), tensão emocional, intoxicações medicamentosas e traumatismos, entre outros. TUDO PODE AFETAR O LABIRINTO.
O estudo do labirinto deve vir acompanhado de exames audiológicos objetivos e subjetivos, do exame otorrinolaringológico (Otoneurológico – VENG), da Polissonografia, de imagens (TC e RM), clínico, laboratorial, entre outros.
Na exploração do labirinto vestibular, estudamos o desvio conjugado dos olhos de origem reflexa e de caráter rítmico, composto de dois movimentos, um rápido e outro lento, o NISTÁGMO, que pode ser espontâneo e também provocado artificialmente, para que possamos valorizá-lo através da VECTO-ELECTRO-NISTAGMOGRAFIA (VENG).
Lesões neurológicas situadas abaixo da tenda do cerebelo, ou seja, infra-tentorial, produzem sintomas otoneurológicos marcantes como na síndrome do Ângulo Ponto Cerebelar, no Neurinoma do Acústico e no comprometimento do Trigêmio e do Facial. A Síndrome da Linha Média, na fossa posterior, acomete a região Bulbo Protuberancial e o Vermis do Cerebelo. É no assoalho do IV Ventrículo que se encontram os núcleos Vestibulares que dão origem às vias oculomotoras e às vestíbulo-espinhais.
A propalada LABIRINTITE não é um diagnóstico. Não se deve tratá-la aleatoriamente antes de se conhecer a sua causa, através de um minucioso estudo pelo otorrinolaringologista e pela fonoaudióloga. Além de indicarem se a lesão é periférica ou central, orientando no seu topo diagnóstico, avaliarão o grau de excitabilidade ou depressão labiríntica, muito importante para um tratamento adequado. Acertar na condução terapêutica para cada caso é preciso, pois medicações sintomáticas, comumente usadas aleatoriamente por leigos, que deprimem o labirinto, mesmo melhorando os sintomas, costumam dificultar no seu restabelecimento e mascarar outras doenças conexas. Na Vertigem Posicional Paroxistica Benigna (VPPB), por exemplo, quando acontecem depósitos de cristais (otocônias) nos canais labirínticos, restabelece-se o equilíbrio com “manobras de reposicionamento canalicular”. Noutros casos, estimula-se esse órgão através de exercícios específicos de “COMPENSAçÂO VESTIBULAR”, orientados pela fonoaudióloga. Tratamentos preventivos podem evitar quedas e fraturas em idosos.
O labirinto é muito sensível à falta de oxigenação, por isso, é importante uma boa respiração. Muitos se acostumam respirando mal pelas narinas, roncando à noite e ainda, com apnéia do sono. Às vezes nem se dão conta disso antes de consultar um médico otorrinolaringologista que fará o diagnóstico e o tratamento da causa da sua doença.
O advento da vecto-electronistagmografia constitui preciosa contribuição à exploração semiótica do aparelho vestibular, propiciando a aquisição de novos e importantes conhecimentos sobre a função labiríntica.

Saiba mais: A surdez e a labirintite

Cesar Augusto Seronni é médico otorrinolaringologista (CRMGO- 2287)

Isadora Christina Fayad Seronni é fonoaudióloga (CRFa-10040)
Isadora é filha do Dr. Cesar

 

Mais:
Vídeos
Sala de Vídeos

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>