XII – O NARIZ

O nariz é um órgão que se relaciona com todo o organismo e é também responsável por um número elevado das mais variadas doenças.

A função nasal de olfação e de preparar o ar inspirado, esquentando, umidificando e purificando-o, não é mais importante do que a influência exercida para a oxigenação do sangue. O oxigênio, fonte principal da vida, é exigido por todas as células do corpo, principalmente as do cérebro e do coração. Através do túnel respiratório as fossas nasais exercem pressão e estímulos que favorecem as trocas gasosas, melhorando a eficiência do coração e da malha vascular pulmonar. Este parágrafo justifica a diminuição da memória, da capacidade física e intelectual, insegurança, nervosismo, pertubações emocionais e do sono, sonolência diurna, vertigens, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e impotência, caso o nariz não funcione bem.

Na preparação do ar inspirado, a coluna aérea principal deverá seguir a trajetória de uma parábola, subindo e passando pela região do meato médio, para depois descer à faringe e aos pulmões. O ar forma várias turbulências como se fossem redemoinhos, dentro de uma fossa nasal normal, antes de seguir o seu percurso. Além de aquecer e purificar, o nariz umidifica o ar em 90%. Grande parte desta umidade é retirada de volta, mesmo assim em condições normais, um homem necessita ingerir 1 litro dáqua diariamente, apenas para abastecer este mecanismo respiratório. Na sua ida e vinda, ele areja, auxiliado pelo efeito Venturi, todas as cavidades paranasais ou seios da face e o ouvido médio, com o qual também se comunica. Existem dentro das narinas, órgãos cavernosos e erécteis que aumentam e diminuem de volume sob os mais diversos estímulos, denominados de cornetos. Eles têm por função principal, aumentar a superfície de contato da fossa nasal com o ar. A sua estrutura é composta por osso mais internamente, uma submucosa ricamente vascularizada e a mucosa respiratória superficial com células cilíndricas ciliadas e as caliciformes, produtoras de muco. Esta mucosa respiratória é a mesma que reveste toda a fossa nasal, seios paranasais, faringe, brônquios e o ouvido médio. Ela necessita estar em contato com o ar.

Alterações anatômicas dos cornetos e do septo, que é uma parede cartilaginosa e óssea separadora das duas fossas nasais, poderão mudar a direção e o fluxo das correntes aéreas, dificultando a ventilação e a drenagem dos seios da face e do ouvido médio, ocasionando infecções sinusais e também nos ouvidos, as mais variadas patologias. Estas citadas alterações anatômicas costumam vir juntas e dependendo da área comprometida, a sintomatologia difere, por exemplo: na área 3, ou seja, na metade superior da fossa nasal, costuma haver retificação da coluna aérea, fazendo com que a mesma passe por baixo, não ventilando os seios da face, ocasionando sinusites e também traumatizando a faringe,. Por ser um ar frio, seco e contaminado, levará a uma faringite crônica, laringite e bronquites diversas, favorecidas pela respiração bucal que frequentemnte acompanha estes casos. Alterações nestas mesmas áreas podem exercer compressões pelas diversas modificações do septo e cornetos que causam cefaléias e nevralgias, além de comprometer o olfato. Vários casos com diagnóstico de enxaqueca e dores de cabeça por origem desconhecida, têm causa endonasal. Quando o problema situa-se na área 5, a mais posterior, comumente compromete a tuba auditiva e o ouvido, aparecendo então, os diversos fenômenos auriculares e labirínticos, como por exemplo, dores, diminuição da audição, vertigens e zumbido, entre outros.

Muitos com queixa de “falta de ar e dor no peito” têm causa endonasal pelo esforço respiratório. A resistência nasal aumentada pode passar desapercebida às pessoas que nunca respiraram bem. O entupimento do nariz pode até inexistir, basta haver alterações das correntes aéreas.

A obstrução do nariz aliada à respiração bucal leva a deformidades osteofaciais e da arcada dentária. Tratamentos orodônticos não terão êxito, antes do restabelecimento da respiração nasal.

As infecções sinusais costumam transformar-se em focos intracavitários que podem atacar vários outros órgãos, tanto na vizinhança quanto à distância através da corrente sanguínea ou da formação de imunocomplexos, como infecções diversas e reumatismo. Ainda existe a deglutição e aspiração daquela secreção purulenta. É comum a exalação de mau cheiro pelas bactérias anaeróbicas presentes.

O nariz é também um órgão de defesa, tanto é que quando se entra em um ambiente contaminado por substâncias tóxicas, ele logo se manifesta através de espirros, obstrução e rinorréia, dando o alarme e estimulando o sistema imunológico que irá se organizar e contra atacar aquelas substâncias nocivas. Quando existe algum problema endonasal o seu sistema reativo ficará constantemente estimulado. Pacientes catalogados como alérgicos costumam ter aí o seu fator causal. Cirurgias endonasais seletivas costumam corrigir a alergia nasal. É também interessante citar alguns dos diversos reflexos sensitivos da mucosa nasal, como por exemplo o naso laríngeo, naso torácico, naso bulbar, naso cardíaco, naso digestivo, naso lacrimal, esternutatório e o tussígeno. Basta citar Fliess e Bonnier que criaram um verdadeiro mapa nasal, cauterizando pontos distintos da sua mucosa, julgando atuar sobre 238 enfermidades. Bierber e Kloeck demonstram sua importância para o desenvolvimento da atração sexual humana em trabalhos científicos diferentes.

Devido à grande importância deste órgão, deve-se primeiramente submetê-lo a um exame bem feito sob microscopia e/ou endoscopia, apalpando as suas estruturas com estiletes próprios, antes e após a vasoconstricção e anestesia da mucosa para saber se o tecido redundante é mais ósseo ou mucoso e também, o que é variação anatômica ou patológica, a fim de se ministrar o tratamento adequado ou corrigir os defeitos. Aparelhos modernos acoplados à microcâmaras como os microscópios, telescópios e fibroscópios, vêm magnificar imagens, fotografando, filmando e projetando-as em monitores de TV desde as fossas nasossinusais até os brônquios nos pulmões ou ao esôfago. Favorecem ao diagnóstico mais preciso, bem como aos procedimentos cirúrgicos que se tornaram mais seletivos e conservadores, na sua maioria sob anestesia local, usando-se microbisturís especiais que cortam, coagulam e vaporizam sem sangramento e com a visão ampliada.

No caso das sinusites crônicas por exemplo, a grande maioria dos problemas está na permeabilidade do meato médio, onde existe uma comunicação com todas as cavidades sinusais anteriores. Caso alguma estrutura estiver bloqueando esta área, deve-se removê-la ou reduzi-la cirurgicamente. Assim também acontece com as compressões dolorosas, modificações das correntes aéreas e com a obstrução respiratória. Uma cirurgia para sinusite não terá êxito se não erradicarmos a patologia causal no meato médio que são na maior parte das vezes, as alterações do septo e cornetos, principalmente o médio. Através desta região consegue-se também efetuar a limpeza das cavidades paranasais infectadas, sendo o seio etmoidal o mais importante, pois ele frequentemente compromete os demais. O grande objetivo no tratamento das sinusites é restabelecer o arejamento das cavidades paranasais.

O ser humano respira em torno de 6000 vezes por dia. Uma resistência nasal aumentada gera um esfôrço adicional e uma sobrecarga física que exacerba durante o sono, favorecendo ao ressono ou “ronco”. Muitos acostumam-se com o problema pois não sabem como seria, ter uma boa respiração.

Saiba mais: Nova técnica cirúrgica no tratamento das sinusites

 

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