XIII – O MAU HÁLITO

A halitose costuma ser oriunda de bactérias anaeróbicas, presentes na boca, garganta e nariz, e que produzem gases sulfídricos.

Segundo pesquisas, 25% da população norte americana tem mau hálito. Na brasileira chega a 40%.

Qualquer infecção aguda ou crônica, localizada, principalmente, na boca, garganta, narinas, seios da face e pulmões, poderá ocasionar este sintoma. Ele será passageiro ou permanente, conforme a sua causa.

Nas doenças metabólicas, como no diabete melitus, o paciente descompensado costuma ter mau cheiro cetônico. O portador de insuficiência renal tem odor urêmico.

Pessoas costumam ter halitose pela manhã, ao acordar, por que houve proliferação bacteriana durante o sono, quando a produção de saliva diminui muito.

Halitose que aparece em períodos menstruais, durante exercícios físicos, ou até mesmo na fome, pode ser de causa orgânica, sem maiores problemas. Entretanto, é preciso ser melhor investigada.

O indivíduo que tem halitose não costuma sentir o próprio cheiro, provavelmente, por um fenômeno de adaptação. O que é pior, é que poucos se encorajam a lhe falar sobre o seu problema, e ele acaba por passar longo tempo da sua vida, de uma maneira anti social, nem mesmo se preocupando em tratar-se. É preciso que alguém lhe confidencie e se disponha a ajudá-lo, mesmo durante, e após o tratamento, para se ter a certeza do seu êxito.

O problema é médico, ou mesmo, odontológico.

Existem aparelhos, o Halímetro, que mede o teor dos gases de enxôfre, e vários testes para o auto exame, porém, a melhor forma para saber se é portador deste sintoma, é, sem dúvida, através do confidente.

Com uma colher ou toalha pode-se remover material na base da língua -porção mais posterior- para limpeza, ou mesmo, para auto examinar-se. Traciona-se a língua com a outra mão pela sua extremidade, segurando-a em um tecido aderente como uma gaze ou a própria toalha. Basta desidratar a amostra removida, deixando-a secar, e cheirá-la, para, em certos casos, evidenciar substâncias odoríferas.

Soluções e pastilhas anti-sépticas, álcool e água oxigenada, de uso contínuo e sistemático, podem agravar o problema, pois desequilibram o ecossistema microbiano local, destruindo, também, a flora bacteriana comum das cavidades orofaringeanas, favorecendo o crescimento de fungos e outros microrganismos mais resistentes.

Boca e garganta ressecadas exalam mau cheiro. A respiração natural é através das narinas mas, pessoas que têm problemas nasais costumam respirar pela boca. O ser humano respira em torno de seis mil vezes por dia. O nariz, além de aquecer, humidifica em 90% o ar inspirado. Grande parte desta humidade é retirada de volta, mesmo assim, em condições normais, um homem necessita ingerir um litro d’água diariamente, apenas para abastecer este mecanismo respiratório. Água boa em excesso só faz bem.

Uma alimentação saudável, rica em fibras, higiene dentária com fio dental e abstenção do fumo e do álcool, são fatores que contribuem para o hálito puro.

Mau hálito tem tratamento e cura, basta descobrir a sua causa e eliminá-la. Recorrer a paliativos, mascara e piora a doença.

Causas mais comuns e condutas terapêuticas.

BOCA:

Infecções dentárias e periodônticas são comumente tratadas pelos odontólogos. As aftas e as doenças das glândulas salivares costumam ter as suas próprias causas, e os tratamentos são específicos.

GARGANTA:

As amígdalas palatinas são as maiores vilãs, por terem a propriedade de acumular internamente, dentro das críptas, substâncias esbranquiçadas e de consistência pastosa, denominadas de cáseo, de intenso odor fétido; ou mesmo, secreção purulenta. O diagnóstico dever ser realizado sob visão microscópica, pós compressão das mesmas.

O tratamento conservador e medicamentoso visa tratar e eliminar o conteúdo das críptas por meio de incisão nos micro abcessos e toalete das amígdalas sob microscopia e anestesia local – criptólise.

Caso não se obtenha êxito com estes procedimentos e em certas amígdalas, o médico especialista, após evidenciar através do microscópio a estrutura deteriorada deste órgão, indicará a sua extirpação cirúrgica como única solução.

As inflamações na parede da faringe, denominadas de faringites, granulosas ou não, aparecem, principalmente, quando há um ressecamento das mesmas por disfunção nasal – alterações do septo ou cornetos que bloqueiam ou modificam a coluna aérea. As faringites crônicas costumam estar associadas às sinusites. O tratamento visa eliminar as causas nasais e vaporizar sob anestesia local e visão microscópica os granulomas faringeanos – nas faringites granulosas. Por isso, os que respiram pela boca, mesmo durante o sono, são candidatos potenciais a ter mau hálito. Durante a conversação, é também necessário respirar pelo nariz.

As amígdalas linguais situam-se na base da língua – na porção mais posterior. Elas raramente doem e costumam passar desapercebidas quando estão infeccionadas. É necessário o uso de vídeo endoscópicos para o seu diagnóstico mais preciso. Quando o tratamento clínico for ineficaz, opera-se sob anestesia local e visão microscópica, destruindo o tecido doente sob vaporização.

A amígdala faringeana ou adenóide hipertrofiada é comumente encontrada na obstrução respiratória em crianças até os 14 anos de idade, sendo, pois, causadora comum de halitose nesta faixa etária. Também, não costuma doer. O tratamento medicamentoso e fisioterápico poderá ser tentado com algum sucesso. Em certos casos, porém, quando a obstrução nasal continua significante, a remoção cirúrgica deverá ser efetuada, também, para evitar outras deformidades e doenças.

NO NARIZ:

Os desvios do septo, sinusites, rinites, corpos extranhos e tumores também causam o mau cheiro.

Todo o paciente deverá ser examinado, sob visão microscópica e vasoconstricção da mucosa endo nasal, para não deixar passar desapercebida a secreção purulenta que possa vir das sinusites. O tratamento clínico, medicamentoso e fisioterápico, poderá ser efetuado antes de se indicar as cirurgias que são hoje, na sua maioria, minimamente invasivas e sob anestesia local.

O mesmo se aplica às rinites e aos desvios septais. As cirurgias dos cornetos inferiores e médios, associadas às septorrinoplastias são também, comumente factíveis sob anestesia local no mesmo ato cirúrgico.

Saiba mais: O mau hálito tem cura e A sinusite tem cura

 

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