XVIII – O RONCO E A APNÉIA DO SONO

O Ronco e a Apnéia do Sono.

É uma doença com alta mortalidade e comprometimento cardiovascular. Há em torno de 10 milhões de apnéicos no Brasil.

Dr.César Augusto Seronni

 O Ronco ou Ressono é o som produzido pela vibração de um órgão à passagem do ar. Costuma ser proveniente dos tecidos da faringe – Úvula e Palato Mole – que se tornam exuberantes e flácidos, bloqueando parcialmente a entrada do ar e também vibrando com grande intensidade. A hipertrofia dos cornetos, as alterações do septo nasal, a macroglossia, os tumores, etc, também podem ressonar.

O Ronco é considerado uma doença séria quando ocorre uma parada do fluxo aéreo entre um Ronco e outro, denominando APNÉIA DO SONO.

O ronco também dificulta o estágio do sono profundo (REM), pois o relaxamento necessário ocasiona mais bloqueio, diminuindo a qualidade do sono. O cérebro terá que escolher entre continuar dormindo e respirar para viver. Razão pela qual a queixa mais comum é o cansaço e a sonolência diurna, mesmo depois de ter dormido muito tempo.

Acontece com maior frequência entre os mais idosos do sexo masculino.

É também grande o número de crianças que roncam, neste caso, trata-se da Adenóide e/ou Amígdalas hipertrofiadas.

A obesidade, as bebidas alcoólicas, os medicamentos relaxantes, o fumo, os hábitos alimentares, a posição durante o sono, o sedentarismo, o ato de dormir em ambientes inadequados e desconfortáveis e o stress favorecem ao Ronco.

Trabalhos científicos de H. Lenni e Col. – Sleep Disorders Center, Memphis USA. – mostram que os portadores da SÍNDROME DA APNÉIA DO SONO tipo obstrutiva, através da Polissonografia – monotorização do sono – caracterizam-se pela sonolência diurna (90,6%); e à noite, sono entrecortado por roncar (92,0%0, com pausa respiratória, ou seja, Apnéia (37,1%). Esta última, acompanhada frequentemente de hipóxia severa pela má oxigenação sanguínea, e pelo despertar parcial, superficializando o sono e diminuindo a eficiência do mesmo. Alterações no eletrocardiograma secundária às apnéias, evidenciando principalmente a bradicardia sinusal, seguida de taquicardia compensatória e os bloqueios A-V de II grau.

Louis D’Lowry – USA 86 – demostrou que aproximadamente 21 milhões de norte americanos são roncadores e que 7 milhões têm Apnéia Noturna.

Com o tempo estas doenças podem levar à hipertensão arterial sistêmica e pulmonar, alterações cardíacas, angina pectoris, impotência física e fadiga excessiva.

A VÍDEOENDOSCOPIA NASOFARINGOLARINGEANA concomitante à manobra de MULLER é o exame de escolha para evidenciar e precisar as causas do Ronco.

O tratamento clínico é muito variado : dietas, exercícios, abstenção do fumo, das bebidas alcoólicas e sedativos à noite, dormir em decúbito lateral – prender uma bola de tênis nas costas -, próteses dentárias, retentores de língua; e até mesmo máscara de oxigênio sob pressão positiva.

O tratamento cirúrgico é efetuado sob anestesia local e visão microscópica.(MUPP – Microuvulopalatoplastia) Retira-se os tecidos exuberantes da faringe com um Micro Bisturí específico, procurando também ressecar parte da mucosa rinofaringeana do véu palatino. À seguir, cobre-se a superfície cruenta com a mucosa adjacente suturada com fio de seda, em U, controlando a tensão à ser criada.

Esta cirurgia dura em média 10 minutos, e a alta se dá 2 horas após.

A Palatouvulofaringoplastia tradicional que se retira também as amígdalas palatinas, está hoje restrita à alguns casos.

Saiba mais: Aspectos atuais no diagnóstico e tratamento da má respiração e da síndrome da apnéiaCirurgias do ronco com vantagens a laser – MUPP e O estudo do sono na polissonografia domiciliar

 

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