XX – O LABIRINTO – Vertigens, tonturas, exames otoneurológicos, doenças e tratamentos.

O LABIRINTO é o órgão da orientação e do equilíbrio. É a base da percepção e idéia de posição no espaço. É sede dos reflexos posturais, originados nos núcleos vestibulares e cerebelares que desencadeiam os movimentos de posição do corpo.

Possui íntima relação com o ouvido. O sistema auditivo é evidenciado pelo LABIRINTO ACÚSTICO ou anterior que é constituído pela Cóclea. O LABIRINTO ESTÁTICO, ou posterior, é formado pelo Vestíbulo e pelos Canais Semi Circulares. Ele está situado numa pequena cavidade do osso temporal.

Alterações deste sistema acarretam o desequilíbrio físico, que é uma manifestação subjetiva através de diversas sensações de tonturas e vertigens. Podem vir acompanhadas de fenômenos vagais, auditivos e oculares, como náuseas, vômitos, zumbidos, surdez, diplopia, nistágmos, etc.

Por ser um órgão bastante sensível, ele frequentemente, torna-se um termômetro do organismo, dando precocemente o alarme das mais variadas doenças, tanto endo labirínticas, como exo-labirínticas. Genericamente, as mais significantes são as alterações metabólicas e endócrinas (diabetes, dislipidemias, hiper ou hipotireoidismo, distúrbios ovarianos, etc.), hipertensão endolinfática ( síndrome de Meniére), disfunção otolítica, doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, trombose da carótida, espasmos, aneurisma, isquemia, disritmias, etc.), doenças inflamatórias e reumáticas (artrose cervical, peri arterite, sinusite, etc.), distúrbio do sono (ronco, apnéia noturna, obstrução nasal, etc.), doenças neurológicas (degeneração espinocerebelar, siringobulbia, esclerose múltipla, etc.), tumores diversos, intoxicações medicamentosas e traumatismos, entre outros. Quase tudo pode afetar o labirinto.

O estudo do labirinto deve vir acompanhado de exames audiológicos objetivos e subjetivos com provas supraliminares, do exame otorrinolaringológico, otoneurológico, clínico e laboratorial.. Na exploração labiríntica, estudamos o desvio conjugado dos olhos de origem reflexa e de caráter rítmico, composto de dois movimentos, um rápido e outro lento, o NISTÁGMO, que pode ser expontâneo e também provocado artificialmente, para que possamos valorizá-lo através da VECTO-ELECTRO-NISTAGMOGRAFIA (VENG). A tonicidade dos músculos dos olhos estão reguladas pelos centros vestibulares, em forma cruzada. Lesões neurológicas situadas abaixo da tenda do cerebelo, ou seja, infra-tentorial, produzem sintomas otoneurológicos marcantes, como na síndrome do Ângulo Ponto Cerebelar, o Neurinoma do Acústico, o comprometimento do Trigêmio e do Facial. Na síndrome da Linha Média, na fossa posterior, acomete a região Bulbo Protuberancial e o Vermis do Cerebelo. É no assoalho do IV Ventrículo que se encontram os núcleos Vestibulares que dão origem às vias oculomotoras e vestíbulo-espinhais. Na síndrome do Cerebelo encontram-se as clássicas alterações cerebelares.

A propalada LABIRINTITE não é diagnóstico. Não se deve tratá-la aleatoriamente antes de se conhecer a sua verdadeira causa através do devido estudo do labirinto pelo otorrinolaringologista que, além de indicar se a lesão é periférica ou central, orientará no seu topodiagnóstico e avaliará o seu grau de excitabilidade ou de depressão. Ele também avaliará a melhor condução terapêutica para cada caso. Medicações sintomáticas que deprimem o labirinto, mesmo melhorando os sintomas, podem dificultar o restabelecimento destes órgãos e mascarar doenças. A tendência atual é mais no sentido de se estimular a compensação labiríntica através de exercícios específicos, do que simplesmente, na sua sedação.

O advento da vecto-electronistagmografia constitui preciosa contribuição à exploração semiótica do aparelho vestibular, propiciando a aquisição de novos e importantes conhecimentos sobre a função labiríntica.

Saiba mais: A labirintite tem cura

 

Mais:
Vídeos
Sala de Vídeos

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>