XXIII – AVANÇO NO TRATAMENTO DAS RINOSSINUSITES CRÔNICAS E DA OBSTRUÇÃO NASAL SOB ANESTESIA LOCAL E SEM TAMPÃO

César Augusto Seronni e Giovanni Paolo Seronni

A sinusite é uma inflamação nas cavidades aéreas existentes dentro dos ossos da face (seios da face – sinus) que se comunicam com o nariz. Elas têm que estar bem arejadas. As sinusites crônicas costumam ter uma causa que dificulta a drenagem e a ventilação destes sinus, o que não ocorre, na maioria das vezes, devido a uma alteração anatômica do septo nasal ou dos cornetos, os maiores vilões. A rinite é uma inflamação de estruturas endonasais denominadas de cornetos que aumentam de volume e entopem o nariz. Quase sempre se associam às sinusites, por isso são chamadas de rinossinusites. A dificuldade em respirar pelas narinas costuma estar presente nas rinossinusites crônicas (RSC). O paciente, muitas vezes, não se dá conta do problema, pois se acostuma com ele, sem saber ao menos como seria, caso fosse normal. A dor de cabeça é comum, mas nem sempre está presente. Os sintomas podem manifestar-se através de variados quadros, como a obstrução nasal, cansaço (pelo aumento da resistência à entrada de ar), faringite crônica, inflamações em outras partes do corpo e reumatismo, entre muitos outros.
Quase todas as especialidades médicas têm a ver com essa má respiração, pois ela diminui a oxigenação de todos os tecidos do nosso corpo. Aquele momento em que se está mais relaxado, durante o sono, o bloqueio das vias aéreas superiores é mais intenso, em certas pessoas, quando pode aparecer o ronco e a apnéia obstrutiva do sono. Isso faz com que diminua mais ainda a oxigenação do sangue e a qualidade do sono. Sabe-se que o oxigênio é o elemento mais vital ao organismo. O ser humano respira em torno de nove mil vezes por dia e não pode ficar três minutos sem essa preciosidade, o ar. Portanto todos os nossos órgãos dependem diretamente dele. Alguns são mais necessitados, como o coração e o cérebro. Uma variedade de sintomas e doenças pode estar dependente da má respiração, como hipertensão, angina, infarto, nanismo, diabetes, trombose, AVC, insônia, depressão, distúrbios psiquiátricos, epilepsia, sonolência diurna com acidentes de trânsito, ronco e apnéia com separação de casais, irritabilidade, insegurança, diminuição da memória e da concentração, dor de cabeça, musculares e torácicas, impotência sexual, labirintite, zumbidos, halitose, obesidade, refluxo, entre muitos outros. Até os gastroenterologistas costumam pedir esse exame, pois se sabe que grande parte das pessoas que tem refluxo gastresofágico e laringofaríngeo é contumaz roncador noturno ou tem obstrução nasal que exacerba durante o sono fazendo com que, com o esforço respiratório, a pressão na garganta – efeito vácuo – chegue até vinte vezes o normal, aspirando o suco estomacal, o que ocasiona também a faringite e a rouquidão.
Os exames deverão ser realizados por médicos otorrinolaringologistas que avaliam a válvula nasal, importante região com o maior estreitamento narinário, colhendo material e estudando toda a via respiratória através da vídeoendoscopia nasofaringolaringeana e traqueobrônquica. Há manobras e exames microscópios, inclusive com telescópicos bastantes finos (2,7 milímetros) e com visão angulada que conseguem ver e amplificar imagens por trás do complexo osteomeatal e do recesso esfenoetmoidal. Evidenciam-se também, nesses exames, certos bloqueios e as infecções sinusais que passam despercebidas.
Os exames de imagens, como a tomografia computadorizada, auxiliam nas condutas terapêuticas.
O tratamento medicamentoso visa eliminar a infecção e a inflamação do nariz e das cavidades paranasais (rinossinusites).
Já o tratamento cirúrgico procura erradicar a doença instalada e as suas causas (obstrutivas) quando não se obtiver êxito no tratamento clínico.
A evolução dos procedimentos minimamente invasivos, sob anestesia local, nas cirurgias, foi bastante eficaz, pois diminuiu manipulações e lesões em áreas indesejadas e também, favoreceu a cirurgias com o mínimo de trauma. Houve um grande salto no desenvolvimento de técnicas para a realização das sinusectomias (cirurgia para correção de rinossinusites crônicas) sob videoendoscopia que pode ser realizado com anestesia local, em muitos casos.
Tal evolução, associada a um maior conhecimento anatômico, proporciona o estímulo de menos receptores para a dor durante o ato cirúrgico, facilitando o bloqueio seletivo da inervação na área que será manipulada, tornando assim, bastante factíveis variadas cirurgias sob anestesia local sem os riscos da anestesia geral. Os grandes beneficiados nestes casos são as pessoas idosas que geralmente têm limitações para se submeterem à anestesia geral, principalmente aquelas que têm problemas, justamente de má respiração e precisam solucioná-los. Estes pacientes necessitam de muito mais oxigênio de que os jovens. A entrada de ar pelas narinas e a sua passagem pela garganta vão sendo comprometidas com a idade, principalmente em consequência do relaxamento das estruturas anatômicas destas regiões. O nariz vai caindo e os músculos dilatadores do mesmo e da garganta vão se enfraquecendo, fazendo com que o bloqueio respiratório aumente mais, ocasionando ainda a rinossinusite crônica. É também por isso que o ronco e a apnéia do sono são mais comuns em idosos.
Estas cirurgias, quando realizadas sob anestesia local, permitem que o paciente vá para casa poucas horas após, sem o desconforto do tamponamento nasal.
Como o sangramento operatório costuma ser mínimo nestes casos, sob anestesia local, pode-se realizar várias intervenções num mesmo tempo cirúrgico, incluindo plásticas e cirurgias faringianas para o ronco, por exemplo. Também, porque o tempo despendido nas cirurgias sem anestesia geral não é tão importante. A tendência futurista das cirurgias, numa maneira geral, é no sentido de preservar a saúde humana e tratar as doenças de forma cada vez mais prática e segura e também, com maior eficiência. Hoje, com o uso de aparelhos que magnificam imagens como os microscópios e endoscópios e também, com os que cortam e coagulam sem sangramento, estes objetivos se tornaram uma realidade. Muitas intervenções tornaram-se menos traumáticas e mais acessíveis.
Nas cirurgias nasossinusais, normalmente são ampliados os óstios (orifícios) de drenagem dos seios paranasais. Ressecamos pólipos e outras patologias dos mesmos. Com a chegada dos endoscópios nasossinusais no arsenal diagnóstico e terapêutico, houve uma revolução na abordagem desta importante região anatômica. Hoje, o médico otorrino dispõe de endoscópios rígidos e flexíveis com várias angulações de filmagem (O°, 30°, 45° e 70°) e vários diâmetros (2,7, 4 e 5 mm) que possibilitam imagens em telas de altíssima definição, visualizadas em telas de altíssima definição, captadas de regiões profundas da cavidade nasal que, além de diminuir o índice de complicações cirúrgicas, nos possibilita a realização de procedimentos menos invasivos e mais efetivos.
É por acreditar nesta supracitada tendência futurística das cirurgias que se desenvolveu, entre outras, a “Microuvulopalatoplastia (MUPP) sob Anestesia Local” e a “Microturbinoplastia do Corneto Médio sob Anestesia Local” que são técnicas pessoais na cirurgia do Ronco, da Sinusite e da Obstrução Nasal, apresentadas no XXXIII Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e no VII Congresso Brasileiro de Rinologia e Estética da Face, respectivamente, além da “Timpanostomia sob Anestesia Local com o DVA (Dreno de Ventilação Auricular)”, apresentada no XXVIII Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia, em São Paulo, quando foi vencedora no concurso: “O melhor Trabalho Científico”, concorrendo com 145 trabalhos e 430 autores, referindo-se a uma técnica microcirúrgica, também pessoal, minimamente invasiva e, a uma invenção de um dispositivo usado neste mesmo procedimento otológico.

Saiba mais: Nova técnica cirúrgica no tratamento das sinusites

Dr. Cesar Augusto Seronni, Crmgo 2287 (site: www.seronni.med.br)
Dr. Giovanni Paolo Seronni, Crmgo 11.568 (site: www.seronni.med.br) é médico otorrinolaringologista especializado em cirurgias videoendoscópicas e plástica nasal.
(Dr. Giovanni é filho do Dr. Cesar)

 

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