XXIV – CEFALÉIAS EM OTORRINOLARINGOLOGIA E OFTALMOLOGIA

Cesar Augusto Seronni, Giovanni Paolo Seronni e Luigi Baptista Seronni

A dor de cabeça é a queixa mais comum em consultórios médicos. Uma grande parte tem causa oftalmológica e otorrinolaringológica, também por isso são especialidades afins.
Em muitos casos pode vir acompanhada de fenômenos precedentes como Flashes e falhas no campo visual que ocorrem em alguns casos de enxaqueca oftálmica e, apesar das manifestações oculares, a sua causa costuma ser neurológica.
Estamos na “era do conhecimento” onde a tecnologia da informação acompanha a maioria das pessoas, seja no lazer, na comunicação ou no trabalho. Assim sendo, passa-se horas no computador e muitos queixam de ardor ocular, hiperemia (vermelhidão) e cefaléia. A leitura nestas máquinas exige mais concentração e esforço visual que diminui a freqüência do piscar, podendo aumentar estes sintomas que também são freqüentes ao ler, assistir TV e dirigir. Eles podem ser minimizados pela correção de ametropias e pelo aumento da freqüência do piscar em pequenos intervalos de leituras prolongadas.
Ametropias são erros de refração que são corrigidos com uso de óculos, lente de contato ou cirurgia e também são causas freqüentes de dor de cabeça, principalmente no fim do dia e durante esforços visuais , pois levam a um esforço excessivo do músculo ciliar. A insuficiência de convergência que é uma alteração da mobilidade ocular, caracterizada pela incapacidade de coordenar os olhos na visão de perto, é outra causa comum de queixa de cefaléia no consultório oftalmológico.
Várias doenças oculares podem levar a cefaléia. Umas agudas e intensas, outras mais leves e crônicas, mas não menos importante, como a causada pelo aumento da pressão intraocular que ocorre em alguns tipos de glaucoma e que, se não tratados, podem levar a cegueira.
Estruturas endonasais anômalas como os desvios e esporões septais, hipertrofias dos cornetos, por si só já são causadores de cefaléias e também de rinossinusites. Basta haver contato anormal entre eles para haver estímulo e liberação de substâncias vaso ativas com congestão da mucosa, hipersecreção e dor, pois são muito sensíveis e inervadas pelo nervo Trigêmio (fibras amielínicas tipo C). Estas substâncias algogênicas podem penetrar nas veias etmoidais que as levam à veia oftálmica superior, depois para o seio cavernoso e à circulação cerebral, podendo também produzir auras e sinais que caracterizam enxaquecas e cefaléias neurovasculares, muito bem demonstrado por Novac (92) e Bonacorsi (92). Existe uma grande diversificação de variações anatômicas e de patologias no interior das fossas nasais, como desvios e esporões septais, crescimento anormal de estruturas como os cornetos, apófise unciforme e bula etmoidal que podem exercer compressões dolorosas e favorecer às rinossinusites. Sinusites são inflamações em cavidades (verdadeiros buracos),denominadas de seios paranasais, existentes dentro dos ossos da face que se comunicam com o nariz e necessitam estar cheios de ar. Se não estiverem bem arejados, surge a infecção sinusal, ou sinusite, que também se manifesta por diversas formas, inclusive com dor de cabeça.
O exame vídeoendoscópico com telescópios apropriados e também com o microscópio é fundamental. Os resultados, além de serem filmados e fotografados, são também demarcados em desenho esquemático. O médico especialista, no transcorrer do exame, colherá material e colocará mechas de algodão embebidas em anestésico e vasoconstrictor dentro das fossas nasais, tocando as estruturas com estiletes próprios para saber se o tecido redundante é mais ósseo ou mucoso, e também, o que é variação anatômica ou patológica, para ministrar o tratamento adequado ou corrigir os defeitos. O algodão com anestésico tópico costuma aliviar a dor momentaneamente, elucidando o diagnóstico com precisão.
A obstrução nasal costuma acompanhar as patologias supracitadas e por si só, é também causadora de dor de cabeça, uma vez que aumenta o esforço respiratório e a pressão intranasal ao respirar. Além de diminuir o teor de oxigenação do cérebro e aumentar o gás carbônico que o acidifica, principalmente à noite, costuma gerar a fadiga, a tensão e a dor. A obstrução nasal, o ressono (ou ronco) e a apnéia do sono tipo obstrutiva são causas comuns de dor de cabeça.
A tomografia computadorizada e a ressonância magnética, bem como exames laboratoriais, são de grande valia na investigação das cefaléias.
O tratamento otorrinolaringológico visa eliminar a sua causa e pode ser cirúrgico. Neste caso, o procedimento costuma ser minimamente invasivo, sob microscopia e/ou videoendoscopia, com anestesia local e alta no mesmo dia.

Dr. Luigi Baptista Seronni, Crmgo-11.195, é médico oftalmologista especializado em plástica ocular.
Dr. Giovanni Paolo Seronni, Crmgo-11.568, é médico otorrinolaringologista especializado em cirurgias videoendoscópicas e plástica nasal.
Ambos são filhos do Dr. César Augusto Seronni

 

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